5 Minutos ConVida - Chiclete


A honestidade é uma grande virtude. Uma grande verdade.
Mas isso nem sempre é reconhecido, ainda mais depois de algum tempo. Muitos só querem é seguir em frente, com os bons e com os maus. É-lhes indiferente quem pauta a sua vida balizado pela cordialidade e amizade franca ou que que não tem princípios. 

Ter sido porto seguro, estar sempre presente, ser a mão pronta a segurar o peso quando os outros cansam, a voz que diz a verdade, aquela que dói mas salva, é tábua rasa.

Acreditou que a lealdade criava raízes. Mas com poucos, porque a amizade, para muitos, é como um chiclete, que se usa e deita fora.
No início, o sabor é intenso. Era o doce, a textura que preenchia o vazio da solidão deles.

A bondade cansa quem não a quer retribuir.
Aos poucos, o sabor da presença começa a perder a graça.
A honestidade, antes vista como virtude, passa a ser excesso de sinceridade. 

Já não é preciso. Venham outros.

O sabor acabou.

Assim, um dia é o amigo do peito, no outro é um nome a evitar nos contactos, ignorar nos grupos, deixado para trás no passeio enquanto a vida deles segue, agora com novos sabores, novos chicletes para mascar.

Ele continua ali, com o mesmo sabor de sempre.
Ficaram com o açúcar; ele ficou com a integridade, mesmo que agora pese como chumbo.

Na verdade, isto é mais comum do que possa parecer nas nossas vidas. 

Dói ser descartado por ser bom demais? Dói. Mas há uma liberdade estranha em deixar de ser o suporte de quem não tem coluna para caminhar sozinho.

Se o seu prazo de validade nas vidas dos outros terminou, o erro não é seu. É de quem utiliza pessoas e nunca aprendeu a cultivar.

Hoje tem a noção de que quem deita fora o que é bom, acaba a alimentar-se de plástico.

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